A GOTA D'ÁGUA

18/06/2013 09:36
Confesso que, quando começaram os protestos em São Paulo contra o aumento das passagens de ônibus e Metrô me posicionei contra estes movimentos que param cidades e prejudicam milhões de pessoas. Mas, em conversas que tive, em mensagens recebidas pelas redes sociais e outros "inputs" acerca dos acontecimentos, fui mudando minha opinião sobre o assunto e, aos poucos entendendo algumas coisas, mesmo que sejam as mais óbvias.
 
1) Estou ficando velho. E como quase todas as pessoas que envelhecem, também perdem um pouco o viço da luta e busca viver mais em harmonia em menos em conflito. Mas, isto não está certo, pois viver em harmonia não é isentar-se da luta e sim engajar-se nela e fazer que ela seja o mais harmônica possível. Por isso fui, a princípio, contra o movimento que provocou enormes transtornos à cidade. E isto nos leva ao segundo ponto.
 
2) Não há manifestação sem transtorno. Imaginem estes protesto realizados no Sambódromo??? Teria o mesmo peso??? Teria a mesma cobertura da mídia ou a mesma repercussão??? Claro que não. Protestos são para incomodar o poder público e as pessoas ao redor para que se posicionem. Ou contra ou a favor, não importa. Mas, por favor, se posicionem. É claro que incomodar é absolutamente diferente de vandalizar. Que houve excessos de todos os lados, não há dúvida, mas é um efeito colateral. Faz parte de toda espécie de movimento desta ordem. Como diz a música dos Paralamas do Sucesso:
 
A polícia apresenta suas armas, escudos transparentes, cacetetes, capacetes reluzentes e a determinação de manter tudo em seu lugar.
O governo apresenta suas armas discurso reticente, novidade inconsistente e a liberdade cai por terra aos pés de um filme de Godard.
A cidade apresenta suas armas meninos nos sinais, mendigos pelos cantos e o espanto está nos olhos de quem vê o monstro a se criar.
 
E isto nos leva ao terceiro ponto
 
3) Será que são mesmo os R$ 0,20 que estão em cheque, ou esta foi a gota d'água? Sim, porque ao longo de décadas estamos vendo o desmando de "autoridades" do legislativo, executivo e judiciário deitarem e rolarem no dinheiro público com a mais absoluta impunidade, a ponto de quem foi condenado ao mensalão ainda não estar cumprindo pena. A má versação do dinheiro público, promessas não cumpridas, a saúde, a educação e a segurança pública deteriorada enfim um estado de coisas que vai corroendo a paciência de um povo que, segundo dizem, tem uma ídole pacífica. O Brasileiro não briga pelos seus direitos, afirmam. Mas será? Aproveito para citar os versos de Chico Buarque:
 
Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d'água...
 
E pode ter sido mesmo. Ou pelo menos espero. Porque estamos cheios, eu pelo menos estou, de ver como as coisas estão e ver o gigante acordar de uma vez ao invés de ficar
 
Deitado eternamente em berço explêndido
Ao som do mar e a luz do céu profundo.
 
Assumirmos a seguinte postura que estã no mesmo hino;
 
Mas, se ergue da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta
Nem teme quem te adora a própria morte.

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